O mercado financeiro manteve suas projeções para a inflação deste ano e do próximo, enquanto revisou ligeiramente para baixo a estimativa de crescimento econômico em 2025. Para 2026, as expectativas permanecem estáveis, conforme apontado pelo boletim Focus 31/03.
De acordo com o levantamento semanal do Banco Central, que reflete as percepções de economistas sobre os principais indicadores econômicos, a previsão para o IPCA ao final de 2024 segue em 5,65%, sem alterações em relação à pesquisa anterior.
A estimativa para a inflação em 2026 continua em 4,50%. O Banco Central tem como meta uma inflação de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
A expectativa de crescimento do PIB em 2024 foi ajustada para 1,97%, levemente abaixo dos 1,98% previstos na semana anterior. Para 2026, a projeção continua em 1,60%.
No que se refere à política monetária, o mercado manteve suas estimativas para a taxa Selic. A previsão mediana indica que os juros básicos devem encerrar 2025 em 15,00%, repetindo a expectativa das últimas 12 semanas. Para 2026, a projeção é de 12,50%.
A revisão para o PIB ocorreu após a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central na semana passada, que reduziu sua estimativa de crescimento econômico para 2025, de 2,1% para 1,9%. O documento também destacou que a inflação deve permanecer acima do limite da meta ao longo de 2025, com tendência de desaceleração apenas a partir do último trimestre.

As projeções indicam que o IPCA acumulado em 12 meses deve oscilar entre 5,5% e 5,6% nos três primeiros trimestres deste ano, fechando em 2024 em 5,1%. Além disso, os investidores analisaram os dados do IPCA-15 de março, que indicaram uma desaceleração maior do que a esperada, apesar da forte alta dos preços dos alimentos.
Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses atingiu o maior nível dos últimos dois anos, mesmo em meio ao ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central.
Outro ponto de atenção do mercado são as declarações de membros do governo sobre possíveis medidas para conter a inflação dos alimentos, considerada essencial para o controle dos preços.
Por fim, o Focus mostrou uma leve redução na expectativa para a cotação do dólar em 2025, de R$ 5,95 para R$ 5,92, enquanto a previsão para 2026 foi mantida em R$ 6,00. A moeda americana acumula uma queda de 6,74% frente ao real neste ano, influenciada por um movimento de correção após a forte valorização no final de 2023 e pelas incertezas sobre as políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Boletim Focus 31/03- Mercado mantém projeção da Selic em 15% para 2025
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 31 de março de 2025, indica que a mediana das projeções para a taxa Selic ao final de 2025 permanece em 15,00%, mantendo-se estável pela 12ª semana consecutiva.

Essa oscilação pode indicar que o mercado possa elevar de forma adicional 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% após o aumento decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 19 de março. Na ocasião, o Copom sinalizou a possibilidade de um novo ajuste de menor magnitude na reunião de maio.
As projeções do Focus 31/03 para a Selic nos anos subsequentes também permaneceram inalteradas, com estimativas de 12,50% para 2026 e 10,50% para 2027. Essas expectativas refletem a percepção do mercado sobre a trajetória da política monetária no médio prazo, considerando a oscilação inflacionária e as condições econômicas atuais.
Imagem destaque: Banco Central do Brasil. Reprodução/Banco Modal Mais